Avaliação Bimestral

AVALIAÇÃO BIMESTRAL DE HISTÓRIA – 7ºs anos

 

1) A diferença na maneira de ver o mundo entre europeus e astecas se transfere para a eficácia e qualidade das armas: os canhões vencerão os tacapes. A sociedade asteca é valorizada em muitos momentos, mas, na medida em que se parece com a europeia: as construções, os canais e a capacidade do homem em dominar a natureza.

(Luiz E. Fernandes e Marcus V. de Moraes, Renovação da História da América. In: Leandro Karnal (Org.), História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas.)

 

No início do século XVI, antes do domínio europeu, é correto afirmar que a sociedade asteca era:

 

(A) seminômade e teocrática.

(B) escravista e agnóstica.

(C) estamental e monoteísta.

(D) igualitária e militarista.

(E) hierarquizada e politeísta.

 

2) Leia o texto:

“Quando os europeus chegaram à terra que viria a ser o Brasil, encontraram uma população ameríndia bastante homogênea em termos culturais e linguísticos, distribuídos ao longo da costa e na bacia dos Rios Paraná-Paraguai. Podemos distinguir dois grandes blocos que subdividem essa população: os tupis-guaranis e os tapuias. Os tupis, também denominados tupinambás, dominavam a faixa litorânea, do Norte até Cananeia, no sul do atual Estado de São Paulo.”

(Boris Fausto, História do Brasil)

Sobre os grupos tupis, é correto afirmar que:

(A) a base econômica se constituía na produção de excedentes agrícolas e nas decorrentes trocas entre as aldeias.

(B) constituíam uma unidade política, pois todas as aldeias tupis estavam subordinadas à Nação Tupi.

(C) se contrapunham a qualquer forma de contato com os colonizadores portugueses e com os catequizadores.

(D) desconheciam a guerra e a conquista do inimigo, práticas introduzidas pelos colonizadores.

(E) praticavam a caça, a pesca, a coleta de frutas e a agricultura, produzindo feijão, milho e mandioca.

 

3) “A História do Brasil não começa com o passado indígena, mas, sim, com a chegada dos portugueses. Assim, o Brasil nasce por iniciativa dos portugueses do século XVI, o pau-brasil e o açúcar são filhos do mercantilismo da Europa, a Inconfidência Mineira deve créditos ao iluminismo, a Independência do Brasil foi fruto das cortes de Lisboa e da pressão inglesa, que também acabou com a escravidão no Brasil. Sabemos mais sobre os jacobinos do que sobre os escravos quilombolas. Sabemos mais sobre a comuna de Paris do que sobre Palmares.”

(Marcos Vinicius de Morais, História Integrada.In: Carla Bassanezi Pinsky (Org.), Novos temas nas aulas de história.)

O fragmento apresenta uma crítica ao:

(A) pós-modernismo.

(B) multiculturalismo.

(C) eurocentrismo.

(D) relativismo cultural.

(E) fundamentalismo.

 

Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 4 e 5.

 

“[Os tupinambás] têm muita graça quando falam [...]; mas faltam-lhe três letras das do ABC, que são F, L, R grande ou dobrado, coisa muito para se notar; porque, se não têm F, é porque não têm fé em nenhuma coisa que adoram; nem os nascidos entre os cristãos e doutrinados pelos padres da Companhia têm fé em Deus Nosso Senhor, nem têm verdade, nem lealdade a nenhuma pessoa que lhes faça bem. E se não têm L na sua pronunciação, é porque não têm lei alguma que guardar, nem preceitos para se governarem; e cada um faz lei a seu modo, e ao som da sua vontade; sem haver entre eles leis com que se governem, nem têm leis uns com os outros. E se não têm esta letra R na sua pronunciação, é porque não têm rei que os reja, e a quem obedeçam, nem obedecem a ninguém, nem ao pai o filho, nem o filho ao pai, e cada um vive ao som da sua vontade [...].”

(Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em 1587, 1987.)

 

4) O texto destaca três elementos que o autor considera inexistentes entre os tupinambás, no final do século XVI. Esses três elementos podem ser associados, respectivamente,

(A) à diversidade religiosa, ao poder judiciário e às relações familiares.

(B) à fé religiosa, à ordenação jurídica e à hierarquia política.

(C) ao catolicismo, ao sistema de governo e ao respeito pelos diferentes.

(D) à estrutura política, à anarquia social e ao desrespeito familiar.

(E) ao respeito por Deus, à obediência aos pais e à aceitação dos estrangeiros.

 

5) Os comentários de Gabriel Soares de Souza expõem:

(A) a dificuldade dos colonizadores de reconhecer as peculiaridades das sociedades nativas.

(B) o desejo que os nativos sentiam de receber orientações políticas e religiosas dos colonizadores.

(C) a inferioridade da cultura e dos valores dos portugueses em relação aos dos tupinambás.

(D) a ausência de grupos sedentários nas Américas e a missão civilizadora dos portugueses.

(E) o interesse e a disposição dos europeus de aceitar as características culturais dos tupinambás.

 

6) (SARESP 2009) Observe o mapa abaixo:

(MAPA)

A partir da análise do mapa, conclui-se que as navegações portuguesas dos séculos XV e XVI:

(A)  Não alcançaram o continente asiático.

(B)  Buscavam contornar a África para chegar ao Oriente.

(C)  Contornaram o Cabo das Tormentas antes de terem conquistado Ceuta.

(D)  Estabeleceram uma rota direta entre Portugal e Índia, sem passar pela África.

(E)   Pretendiam expandir as áreas de pesca do bacalhau.

 

7) (SARESP 2009) As colonizações portuguesa e espanhola na América foram marcadas por forte caráter religioso, deixando marcas profundas na sociedade. A Igreja Católica, nesse período:

(A)  Empenhou-se ativamente na expansão da fé católica, promovendo a catequese dos indígenas.

(B)  Ocupou-se exclusivamente em explorar a terra, enriquecendo os cofres eclesiásticos.

(C)  Teve um papel secundário nas colonizações, atendendo apenas aos interesses das Metrópoles.

(D)  Exerceu pouca influência na educação de índios, atuando apenas no campo religioso.

(E)   Dedicou-se à exploração do pau-Brasil.

 

8) (SARESP 2009) Leia o texto e responda à questão:

“Antes dos brancos chegarem,

cada nação indígena sabia onde era sua terra.

Ninguém precisava fazer demarcação.

A terra não era de um dono só.

A terra era de toda a comunidade.

(PAULA, Eunice Dias; Paula, Luiz Gouveia de; AMARANTE, Elizabeth. História dos povos indígenas: 500 anos de luta no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1986)

 

A chegada dos europeus à América causou inúmeras transformações no modo de vida dos povos indígenas que habitavam essa região. O aspecto histórico das sociedades indígenas ressaltado pelo texto acima é:

(A)  A inexistência da propriedade privada.

(B)  O domínio das técnicas de demarcação.

(C)  A prática de uma agricultura predatória.

(D)  O estabelecimento de instituições democráticas.

(E)   A reforma agrária.

 

9) Leia o texto abaixo, escrito por um autor de origem indígena:

“Para o povo indígena, os ancestrais que regem a natureza acompanham toda a evolução humana, como semeadores que espalham sementes pela terra e observam, nutrem e cuidam até elas frutificarem. O índio surgiu desses ancestrais sagrados: Sol, Lua, arco-íris, terra, água, fogo e ar. O ser índio foi se amalgamando com esses seres sagrados. E dessa diversidade nasceram tribos, povos, línguas. Essas tribos, de tão antigas, guardam a história de suas civilizações como um sonho-memória, de um tempo tão remoto que parece até mesmo anteceder a memória do próprio tempo.”

(JECUPÉ, Kaká Werá. A terra dos mil povos. São Paulo: Peirópolis, 1998)

 

A partir do texto, é correto afirmar que os povos indígenas valorizam a:

(A)   Preservação da cultura e da memória de cada povo.

(B)  Difusão de seus valores religiosos no mundo civilizado.

(C)  Obtenção de recursos para o isolamento dos grupos ameaçados.

(D)  Construção de críticas às explicações científicas de criação do mundo.

(E)   Substituição contínua de seus mitos e deuses por outros ligados à natureza.

 

10) Portugal foi o primeiro Estado Nacional a envolver-se com grandes expedições marítimas, e vários fatores foram importantes para o pioneirismo português. Assinale a alternativa que não contribuiu para a expansão marítima portuguesa:

(A) A burguesia enriquecida e atuante de Portugal.

(B) A centralização do poder.

(C) A existência de bons portos.

(D)A falta de unidade política.

(E) A posição geográfica.

 

11) Em 1492, Cristóvão Colombo e seus navegadores partiram das Ilhas Canárias e chegaram, no dia 12 de outubro, à Ilha de Guanaani, atual San Salvador, nas pequenas Antilhas, fato que alterou profundamente a vida dos incas, astecas e maias. O navegador Cristóvão Colombo estava a serviço de qual reino europeu?

(A) Portugal.

(B) Inglaterra.

(C) Espanha.

(D) França.

(E) Itália.

 

12) Em 1494, portugueses e espanhóis assinaram um tratado dividindo as terras descobertas e por descobrir em duas partes: as terras a oeste do meridiano que passava a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde pertenceriam à Espanha e as terras a leste, a Portugal. Esse tratado recebeu o nome da cidade em que foi assinado, que é:

(A) Madri.

(B) Portugal.

(C) Tordesilhas.

(D) Espanha.

(E) Cabo Verde.

 

13) A sociedade maia, uma das mais importantes das civilizações pré-colombianas, floresceu na região que hoje corresponde:

(A) Ao Uruguai, à Argentina e ao Sul do Chile.

(B) Ao Paraguai e à Bolívia.

(C) Ao México, à Guatemala, a Belize e a Honduras.

(D) Ao Brasil e à Venezuela.

(E) Aos Andes peruanos.

 

14) Os astecas utilizavam “canteiros flutuantes”, onde plantavam milho, abóbora, feijão e pimenta. Esses canteiros eram feitos com junco, uma planta abundante na região, e cercados por estacas, recebendo o nome de:

(A) Terraços.

(B) Chinampas.

(C) Fortalezas.

(D) Canteiros.

(E) Adobe.

 

15) Quando os portugueses chegaram ao litoral do Brasil, a região já estava ocupada por diferentes povos indígenas. Assinale o termo que melhor se aplica ao tipo de relação estabelecida no contato entre portugueses e os povos indígenas:

(A) Reconquista.

(B) Parceria.

(C) Descobrimento.

(D) Choque entre culturas.

(E) Tolerância.

 

 

 

Astecas, maias e incas

Espaço e diversidade cultural

 

Estima-se que, por ocasião da chegada de Colombo, em 1492, viviam na América cerca de 54 milhões de pessoas. Essas pessoas pertenciam a povos bem diferentes entre si, não só na aparência ou no nome, mas também no modo de viver e de pensar.

Dentre os povos nativos da América, podemos destacar: os astecas, os mais e os incas.

 

 

Os astecas

 

Os astecas, ou mexicas, nome que eles davam a si próprios, contam o seguinte mito* sobre seus primeiros tempos de vida.

Eles viviam no Norte da América e, certo dia, por serem um povo andarilho, decidiram deixar Astlán, sua terra natal, e caminhar em direção ao Sul. Depois de muito caminhar, avistaram uma águia empoleirada num cacto, que trazia uma cobra presa ao bico e a uma de suas patas. Os sacerdotes astecas consideraram aquela águia um sinal dado por seu deus, Uitzilopochtli, de que era ali que eles deveriam se fixar e recomeçar a vida. E foi o que fizeram.

Já para os historiadores, os astecas deixaram o Norte da América em busca de terras férteis por volta do século XII. E, depois de uma longa caminhada, chegaram ao fértil vale do Anahuac, hoje Vale do México, e ocuparam as ilhas ocidentais do Lago Texcoco, pois as outras já eram habitadas. Numa dessas ilhas, no ano de 1325, os astecas ergueram a cidade de Tenochtitlán.

 

 

Tenochtitlán, a capital asteca

 

Em pouco tempo, Tenochtitlán cresceu e os astecas passaram a submeter outros povos da região e a incorporar elementos de suas ricas culturas.

Grande parte dessa enorme riqueza de Tenochtitlán vinha dos pesados impostos cobrados dos povos vencidos. Cada uma das cidades dominadas pelos astecas era obrigada a pagar vários impostos, todos os anos. O pagamento de impostos era feito em mercadorias, e os oficiais do imperador faziam uma lista detalhada dos tributos enviados, como mantas de diferentes formatos e modelos, vestes cerimoniais, cocares e penas, feixes de pluma, colares e sacas de cacau.

Assim nasceu o Império Asteca. Quando os espanhóis chegaram à América, Tenochtitlán era uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, quatro vezes mais do que a Londres da época, a maior capital europeia. Era cortada por dezenas de canais, por onde circulavam barcos carregados de mercadorias, e aquedutos, que traziam água doce das montanhas. A capital asteca possuía também templos, ruas retas e amplas e um mercado central rico e movimentado.

Até 1521, data em que Tenochtitlán foi invadida e conquistada pelos espanhóis, os astecas mantiveram seu imenso Império, que abrangia praticamente todo o centro do atual território do México e estendia-se do Oceano Pacífico ao Golfo do México.

 

(Mais informações sobre a cidade: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n)

 

 

A sociedade asteca

 

No topo da pirâmide social, estava o imperador, considerado um ser semidivino. Seu poder e sua responsabilidade eram grandes; em caso de seca prolongada, por exemplo, era ele que fornecia roupa e comida aos necessitados.

Abaixo do imperador vinham os nobres, que atuavam como sacerdotes, altos funcionários públicos ou militares.

Os militares tinham enorme prestígio na sociedade asteca; os mais valentes ingressavam nas importantes ordens militares, como a dos cavaleiros-águia.

Abaixo dos nobres vinham os comerciantes, com destaque para os atacadistas, especialmente os que trabalhavam com artigos de luxo. Os comerciantes incentivavam os casamentos de seus filhos com os filhos de nobres a fim de adquirir prestígio. A seguir, vinham os artesãos, que eram conhecidos por sua habilidade e requinte.

Já os agricultores e soldados constituíam a maioria da população masculina asteca. Por fim, havia escravos, prisioneiros de guerra, condenados pela justiça ou indivíduos que, por causa do envolvimento com jogos ou bebidas, haviam sido escravizados.

 

 

Esporte e saúde

 

Os astecas tinham grande paixão pelo esporte, e praticavam uma série de jogos; um dos preferidos era o tlachtli, jogo de bola bastante popular que lembra tanto o futebol quanto o basquete. As duas equipes adversárias se enfrentavam em um campo em forma de “T”; a bola era feita de borracha e bastante pesada, e só podia ser tocada e lançada com os joelhos ou os quadris. Os jogadores esforçavam-se para fazê-la passar entre dois anéis de pedra fixados nas muralhas laterais, mais ou menos como nas cestas de basquete.

No tocante à saúde, os astecas desenvolveram tratamentos eficientes com base no grande conhecimento da flora e da fauna locais. O médico do rei espanhol Filipe II registrou cerca de 1200 plantas usadas pelos astecas para fins medicinais. As doenças eram atribuídas à vontade dos deuses ou a feitiços. Os astecas usavam a adivinhação e a oração, mas, ao mesmo tempo, sabia curar fraturas, feridas e fazer remédios à base de gordura animal e plantas medicinais, para os mais devidos fins.

 

 

Os maias

 

Os maias viviam na Península de Yucatán, região que corresponde hoje a Guatemala, Honduras, Belize e ao Sul do México.

Copán é considerada a mais bela cidade maia. Por sua arquitetura e construções, foi chamada pelos historiadores de Alexandria do mundo maia. Os maias eram bons construtores e foram os inventores de um tipo de cimento eficiente, que permitia colar, umas às outras, as grossas pedras de seus edifícios e estradas.

 

 

Política, sociedade e economia

 

Diferentemente dos astecas, os maias nunca formaram um grande império, mas, como os astecas, construíram grandes cidades. As cidades maias, como Chichen-Itzá, Maiapán, Palenque e Tikal, eram pequenos estados independentes, ou seja, tinham governos, leis e costumes próprios. Nelas, viam-se palácios, estradas com até dez metros de largura e templos na forma de pirâmide.

Enquanto as pirâmides egípcias serviam de túmulos para os faraós (imperadores), as pirâmides maias serviam de esteio para os templos religiosos, erguidos em seu topo. Os sacerdotes desses templos consideravam-se, assim, mais próximos dos deuses. Algumas pirâmides chegavam a ter setenta metros de altura.

 

 

Sociedade e economia

 

A sociedade maia era hierarquizada: a elite era formada por nobres e sacerdotes; abaixo deles vinham os artesãos e os trabalhadores livres, agricultores em sua maioria. Os nobres e os sacerdotes ajudavam o governante máximo de cada cidade a dirigi-la. Ele era visto pelo povo como representante dos deuses. Os camponeses acreditavam que, para conseguir boas colheitas, tinham de pagar impostos a esse governo “sagrado”. Os impostos eram pagos com parte do que eles produziam e com trabalhos gratuitos para o governo (como reparo e construção de estradas).

A agricultura tinha grande importância na vida dos maias. A maioria deles vivia no campo, onde cultivava feijão, abóbora, algodão, cacau, abacate e milho. O milho era a base de sua alimentação; eles comiam milho assado, cozido ou na forma de farinha.

 

 

Astronomia

 

Os maias destacavam-se também no campo da astronomia. Os astrônomos maias conseguiam prever, com grande precisão, os eclipses do Sol, descrever as fases de Vênus e elaborar calendários que facilitavam seu dia a dia. Além disso, conseguiam calcular a duração do ano quase com a mesma precisão dos cientistas de hoje.

 

 

Os incas

 

Um mito inca* diz que eles tinham origem divina, por isso eram chamados de filhos do Sol. Diz também que o Império Inca foi fundando por dois personagens lendários, Manco Cápac e sua irmã e esposa, Mama Ocilla.

Sabe-se hoje que, por volta do ano 1400, os incas viviam da agricultura e do pastoreio nas terras altas (temperadas e frias) da cidade peruana de Cuzco. Por volta de 1438, esse grupo de língua quíchua conquistou a cidade de Cuzco e, nas décadas seguintes, expandiu seus domínios tanto ao norte como ao sul, construindo assim o maior império indígena na América. O primeiro Sapa Inca (imperador) chamava-se Pachakuti.

Em seu apogeu, o império possuía cerca de milhares de quilômetros de estradas, percorridas por corredores a serviço do governo. Estes revezavam-se levando e trazendo informações e produtos das várias partes do interior para a capital e vice-versa. Em apenas duas semanas, uma ordem do imperador era transmitida por toda a extensão do Império. Entre as principais cidades do Império Inca, estavam Cuzco e Machu Picchu. A cidade de Cuzco, a capital, era famosa por suas construções planejadas, seus templos decorados e suas ruas movimentadas.

 

 

Sociedade e economia

 

Os incas tinham uma agricultura desenvolvida; utilizavam um sistema de irrigação por canais e uma técnica agrícola que aproveitava terraços cavados nas encostas das montanhas (sistema de terraços). Os camponeses constituíam a maioria da população. Cada aldeia era formada por um conjunto de famílias camponesas unidas por laços de parentesco que recebia o nome de ayllu; o chefe do ayllu era o kuraqa. Os habitantes do ayllu plantavam milho, feijão, batata e pastoreavam os lhamas e as alpacas (animal de carga semelhante ao lhama).

As terras de cada ayllu eram divididas em três partes: uma para o imperador, uma para os deuses (isto é, para os sacerdotes) e outra para as famílias camponesas. Além de trabalhar todas as terras, os camponeses eram obrigados a prestar serviços gratuitos ao Estado, como reformar e construir estradas. Essa obrigação recebia o nome de mita. As sobras da produção de alimentos eram estocadas em armazéns ou distribuídas à população nos períodos de fome causados por invernos rigorosos, chuvas torrenciais, pragas ou epidemias.

O imperador – conhecido como Inca ou Filho do Sol – era visto como semidivino e possuía enormes poderes e privilégios; seu cargo era hereditário. Abaixo dele estavam os sacerdotes e os chefes militares, todos originários da nobreza.

Depois vinham os artesãos, os responsáveis pela cura das doenças, os soldados, os contabilistas, os projetistas e os funcionários públicos. Esses profissionais viviam em cidades e eram sustentados pelo governo, que armazenava riquezas com os impostos cobrados das comunidades camponesas.

Em que direção caminhariam os incas, os astecas e os maias caso os espanhóis não tivessem interrompido bruscamente sua trajetória? Isso nunca saberemos, mas de sua enorme capacidade de erguer cidades, viver e progredir num meio hostil ninguém pode duvidar.

 

 

ATIVIDADES

 

1)      Compare a história ao mito do surgimento da civilização asteca.

 

2)      Compare astecas, maias e incas quanto ao aspecto político de suas sociedades.

 

3)      Os camponeses incas pagavam impostos em produtos. Parte deles era armazenada para socorrer a população nos períodos de calamidade pública. Responda (se necessário, pesquise para resolver melhor esta tarefa):

a)      Como nós, na sociedade atual, pagamos impostos?

b)      Como a prefeitura deve usar os impostos que recolhe dos moradores da cidade?

 

4)      O texto a seguir foi escrito por Hernán Cortez, em 1520. Leia-o com atenção e depois responda:

 

“Há uma praça tão grande que corresponde a duas vezes a cidade de Salamanca (Espanha), [...] onde há cotidianamente mais de sessenta mil almas comprando e vendendo. Há todos os gêneros de mercadorias que se conhecem na terra, desde joias de ouro, prata e cobre, até galinhas, pombas e papagaios. Há casas como de boticários*, onde vendem os medicamentos feitos por eles [...]. Há casas como de barbeiros, onde lavam e raspam as cabeças. [...] Há verduras de todos os tipos, mel de abelha, fios de algodão para tecer, [...] milho em grão ou já transformado em pão de excelente sabor. Enfim, vendem tantas coisas que seria prolixo* relatar todas aqui. [...] Há no centro da praça uma casa de audiências, onde estão sempre reunidos dez ou doze juízes para julgar questões decorrentes de desacertos nas compras e vendas.” (Hernán Cortez, apud NEVES, Ana Maria B.; HUMBERG, Flávia R. Os povos da América: dos primeiros habitantes às primeiras civilizações urbanas. São Paulo: Editora Atual, 1996. p. 66-67.)

 

a)      Quem é Cortez? Se necessário, pesquise para responder a esta questão.

b)      Copie um trecho em que Cortez demonstra sua admiração pelo mercado asteca.

c)      O que o autor quis dizer com “sessenta mil almas comprando e vendendo”?

d)     Em sua cidade há algum mercado parecido com o mercado asteca? Explique.

 

VOCABULÁRIO

 

* MITO: é um relato que busca explicar a origem do mundo, dos fenômenos naturais (vento, chuva, encontro das águas do rio com as do mar, etc) e das criações humanas. O mito é transmitido pelo boca-a-boca, dentro de determinado grupo e é considerado verdadeiro por ele.

* INCA: originalmente, era o título do governante do império fundado pelo povo quíchua na região onde hoje é o Peru. Os espanhóis traduziram inca por “imperador”. Mais tarde, a palavra inca passou a ser usada para designar o povo quíchua e o império por ele fundado.

* BOTICÁRIO: preparador e vendedor de medicamentos.

* PROLIXO: difícil, complexo.

 

(DATAS DE ENTREGA:

- 6°A E 6°B: 25/10

- 6°C: 24/10)

As Grandes Navegações

Você já imaginou o que é viajar para lugares distantes em embarcações frágeis e pequenas? Viajar em barcos lotados e com pouco espaço para os tonéis de água? Viajar sem nenhuma certeza do caminho? Pois bem, esses foram alguns dos desafios enfrentados pelos europeus durante as Grandes Navegações: conjunto de viagens de longa distância feitas pelos europeus durante os séculos XV e XVI.

 

Enfrentando perigos

Para velejar em alto mar, os europeus enfrentaram perigos reais e imaginários.

Os perigos imaginários eram muitos, como a crença de que a Terra era achatada como uma pizza, e que quem se afastasse muito do litoral cairia numa abismo; ou de que na altura da linha do Equador as águas ferviam, incendiando os navios; ou ainda, de que o mar era habitado por monstros terríveis.

Entre os perigos reais, estavam os ventos desfavoráveis, a ameaça de encalhe, os lugares estranhos, a fome, a doença e a sede no interior dos navios.

Mapa do período, indicando os “perigos” do alto-mar

Motivos das Grandes Navegações

Se era assim tão perigoso, por que, então, os europeus se lançaram às Grandes Navegações?

O motivo principal foi o desejo de conseguir as especiarias* e os artigos de luxo orientais* na fonte, isto é, no próprio Oriente.

No século XVI, o rico comércio com o Oriente era controlado pelos árabes e italianos. Os árabes traziam os produtos do Oriente até os portos do Mediterrâneo. Ali, os mercadores italianos compravam esses produtos dos árabes muçulmanos e os revendiam na Europa, com grande lucro.

Com o Mediterrâneo controlado pelos italianos, só restava uma alternativa a quem quisesse participar do comércio das especiarias: buscar um novo caminho para o Oriente. Além da motivação econômica, havia também a religiosa: o desejo de expandir a fé cristã para outros continentes. A liderança na expansão marítima rumo ao Oriente coube aos portugueses.

 

Portugal, o primeiro nas Grandes Navegações

Vários motivos contribuíram para Portugal se tornar pioneiro* nas Grandes Navegações:

a)      Portugal foi o primeiro país a possuir uma monarquia centralizada, um rei com controle sobre todo o território nacional (lembrar da Formação da Monarquia portuguesa);

b)      havia tempo os portugueses praticavam a pesca e a venda de sardinha, bacalhau e atum, o que estimulou o surgimento de uma burguesia próspera nas cidades litorâneas portuguesas, como Porto, Setúbal e Lisboa;

c)      o desenvolvimento de técnicas e de conhecimentos necessários à navegação, como o aperfeiçoamento de mapas e portulanos*, da bússola e a invenção da caravela.

Caravela portuguesa

Navegando com os portugueses

Os portugueses acreditavam que chegariam ao Oriente contornando a África, mas, inicialmente, esperavam obter lucros conquistando Ceuta, importante ponto de comércio entre árabes e italianos, situado no norte da África. Porém, a conquista de Ceuta, em 1415, não trouxe os lucros esperados, pois os árabes desviaram suas caravanas para outros pontos da África.

Diante disso, os portugueses decidiram planejar o passo seguinte com mais cuidado. Por isso, D. Henrique, filho do rei de Portugal, D. João I, estimulou a criação de um centro de estudos náuticos conhecido como Escola de Sagres; ali se reuniam cartógrafos, geógrafos, astrônomos, matemáticos, construtores e tradutores empenhados em melhorar a navegabilidade e a segurança em alto-mar.

Com o apoio de estudiosos e capitães experientes, os portugueses iniciaram o périplo africano, isto é, o contorno da África por mar (Oceano Atlântico) para chegar ao Oriente.

Com a chegada de Vasco da Gama à Índia, em 1498, os portugueses realizavam seu maior sonho: chegar ao Oriente contornando a África. Ao regressar a Lisboa, Vasco da Gama trouxe consigo uma fortuna em pimenta, canela e gengibre. A venda dessas especiarias possibilitou aos investidores um lucro extraordinário (alguns historiadores falam em 600%).

Aberto o caminho marítimo para o Oriente, partia de Lisboa todos os anos uma expedição que ia até a cidade de Goa, na Índia, trazer as cobiçadas especiarias. Em poucos anos, o negócio das especiarias, com destaque para a pimenta, tornou-se a principal fonte de renda do governo de Portugal.

 

A concorrência espanhola

Os reis espanhóis Fernando e Isabel também se aplicavam na busca de um novo caminho marítimo para o Oriente. Em 1492, eles aprovaram o audacioso plano do navegador genovês Cristóvão Colombo. O plano de Colombo consistia em buscar o Oriente navegando em direção ao Ocidente, isto é, dando a volta em torno da Terra. Colombo acreditava que a Terra era redonda. Além disso, julgava que ela fosse menor do que realmente é. O que ele não sabia, porém, é que no meio do caminho havia outro continente.

Colombo saiu do porto de Palos com três caravelas – Santa Maria, Pinta e Niña – e, depois de velejar cerca de dois meses, embalado por fortes ventos favoráveis, teve uma grata surpresa: encontrou um continente “novo” para os europeus, a América. Era 12 de outubro de 1492. Mas, como pensou ter chegado às Índias, chamou de “índios” os povos que habitavam essas terras havia milhares de anos.

A notícia sobre as terras americanas quase causou uma guerra entre Espanha e Portugal, já que ambos queriam ter direitos sobre elas. Depois de discussões prolongadas, esses países chegaram a um acordo, assinando em 1494 o Tratado de Tordesilhas. Esse tratado riscou no mapa uma linha imaginária a 370 léguas das Ilhas de Cabo Verde. As terras a oeste dela pertenceriam à Espanha; as localizadas a leste seriam de Portugal.

No entanto, França, Inglaterra e Holanda não aceitaram o Tratado de Tordesilhas e continuaram a enviar expedições para a América, África e Ásia. Portugal, por sua vez, prosseguiu avançando na construção do que se tornou um enorme império marítimo-comercial.

Tratado de Tordesilhas (1494)

O navegador genovês Cristóvão Colombo (1451-1506)

Cabral toma posse das terras brasileiras

Animado com o lucro da viagem de Vasco da Gama, o rei de Portugal, D. Manuel, decidiu enviar outra expedição às Índias, a fim de firmar o comércio português com o Oriente.

Essa esquadra, comandada pelo nobre Pedro Álvares Cabral, partiu de Lisboa em 9 de março de 1500. Era formada por 13 navios (dez naus e três caravelas) e cerca de 1500 pessoas, incluindo escrivão, cartógrafos, padres, soldados e navegadores experientes, como Bartolomeu dias, o primeiro europeu a contornar a África.

O rei encarregou Cabral de tomar posse das terras que encontrasse pelo caminho. Por isso, Cabral ordenou aos pilotos de sua esquadra que se afastassem do litoral africano, velejando cada vez mais em direção ao Ocidente.

Depois de 43 dias no mar, os tripulantes avistaram pássaros e algas marinhas, sinais de que havia terra por perto. Finalmente, na tarde do dia seguinte, 22 de abril de 1500, uma quarta-feira, avistaram um monte verde-azulado de formas arredondadas, ao qual deram o nome de Monte Pascoal, pois era semana da Páscoa.

Os portugueses desembarcaram junto a uma aldeia do povo Tupiniquim, no lugar onde hoje é Porto Seguro, na Bahia. Lá fincaram uma cruz de madeira, para dizer que, daquela data em diante, aquelas terras eram deles. Depois de tomar posse, estabelecer contato com os indígenas e ordenar a celebração da primeira missa, Cabral enviou um navio de volta a Portugal, levando a carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão de sua esquadra, carta que se tornaria um importante documento histórico.

                                                                                        Pedro Álvares Cabral

                                                               Mapa das navegações portuguesas e espanholas

Rotas de Pedro Álvares Cabral

Ingleses, franceses e holandeses

Ingleses, franceses e holandeses também cobiçavam as especiarias orientais. Para chegar a elas, navegaram em direção ao Oriente por diversos caminhos.

Em 1497, o navegador genovês Giovanni Caboto, viajando a serviço da Inglaterra, tentou em vão encontrar uma passagem para o Oriente pelo extremo norte. Nessa viagem, Caboto explorou alguns pontos da América do Norte.

Em 1534, foi a vez do navegador francês Jacques Cartier buscar uma passagem para o Oriente pelo extremo norte. Ele explorou o Rio São Lourenço e tomou posse, em nome do rei da França, de parte dos atuais Canadá e Estados Unidos. Tanto os ingleses como os franceses daquela época dedicavam-se à pirataria, erguendo várias feitorias* na África e na Ásia. Os franceses chegaram a invadir o Brasil duas vezes.

A Holanda lançou-se às navegações só no final do século XVI. Mas, em poucas décadas, conquistou áreas ricas em especiarias em diversos continentes: região do Cabo (África); Java, Sri Lanka e Ilhas Molucas (Ásia); Nova Amsterdã (atual Nova Iork); Antilhas e Nordeste do Brasil (América).

As Grandes Navegações provocaram importantes mudanças no cenário mundial:

a)      O comércio ganhou proporções mundiais;

b)      O Atlântico passou a ser mais importante que o Mediterrâneo como via de comércio. Com isso, assistiu-se ao declínio das cidades italianas e à ascensão dos países banhados pelo Atlântico, como Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda;

c)      Os europeus ergueram vastos impérios coloniais e apropriaram-se da riqueza dos povos africanos, asiáticos e ameríndios;

d)     Europeus, africanos, ameríndios e asiáticos tiveram de conviver cada vez mais com as diferenças entre si.

 

Para saber mais

Sabe-se hoje que foram os portugueses os primeiros a projetar e construir a caravela, fato ocorrido entre 1430 e 1440. Sabe-se também que as caravelas significaram grande avanço técnico, pois, além de serem ligeiras e fáceis de manobrar, podiam entrar em rios, contornar bancos de areia e zarpar com certa velocidade em caso de ataque.

 

Para refletir

Mais de quinhentos anos depois da chegada de Colombo às Bahamas, na América Central, uma pergunta continua no ar: 12 de outubro de 1492 foi o dia da descoberta, do encontro ou da invasão da América pelos europeus?

Não se pode dizer que Colombo descobriu a América, afirmam os historiadores, pois, quando ele aqui chegou pela primeira vez, o continente americano era habitado por milhões de indígenas.

O historiador mexicano Miguel León Portilla sugeriu, então, que 12 de outubro de 1492 devia ser visto como dia do “encontro de dois mundos”: o mundo americano e o mundo europeu.

Já outros estudiosos discordam dele: preferem dizer que o número de mortes de ameríndios no contato com os europeus foi tão elevado que o dia da chegada de Colombo deve ser considerado como o dia da invasão da América pelos europeus.

 

 

ATIVIDADES:

 

1)      Os primeiros navegantes europeus enfrentaram diversos perigos. Alguns, reais e outros, imaginários.

a)      Cite esses perigos.

b)      Em sua opinião, por que os europeus tinham tantos medos imaginários?

 

2)      O que levou os europeus a enfrentar todos esses perigos nas viagens para as Índias?

 

3)      Por que os portugueses buscavam “outros” caminhos para o Oriente?

 

4)      Explique o que foi o Tratado de Tordesilhas e, a seguir, responda:

a)      Ele respeitou o direito dos povos que viviam na América?

b)      Ele foi respeitado pelas outras nações europeias?

 

5)      Os versos a seguir são de Fernando Pessoa (1888-1935), um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos. Leia-o com atenção e depois responda:

“Oh! Mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal

Por te cruzarmos, quantas mães choraram

Quantos filhos em vão rezaram

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, oh! mar!”

a)      O que o poeta quis dizer com esses versos?

b)      A que oceano o poeta se refere quando diz “mar salgado”?

c)      Qual é o assunto tratado por ele nesses versos?

d)     O que ele quis dizer com “Quantas noivas ficaram por casar/ Para que fosses nosso, oh! mar!”?

 

6)      Reflita e responda?

a)      É correto dizer que o Brasil foi descoberto pelos portugueses? Justifique.

b)      Se a resposta for não, então o que foi o dia 22 de abril de 1500?

 

 

VOCABULÁRIO:

* ESPECIARIAS: produtos vegetais usados geralmente para temperar a comida, como pimenta-do-reino, cravo, canela, açafrão, etc. Também serviam para conservar a carne, preparar remédios e perfumes.

* ARTIGOS DE LUXO DO ORIENTE: tecidos de algodão da Índia, tapetes da Pérsia, seda e porcelana da China e pérolas do Japão.

* PIONEIRO: primeiro, líder.

* PORTULANO: espécie de roteiro com a descrição detalhada das costas marítimas que os navegadores descobriram ou percorriam.

* FEITORIAS: entrepostos comerciais fortificados, usados também para controlar a circulação naval e guardar o território.

 

 

ATENÇÃO:

DATAS DE ENTREGA DESSA ATIVIDADE:

- 6° A/B: 18/10

- 6° C: 19/10

OBS: VER PRÓXIMO POST! (http://historiabatecabeca.wordpress.com/2012/10/15/astecas-maias-e-incas/)

Reforma e Contrarreforma

No final da Idade Média e início da Idade Moderna, muitas pessoas estavam insatisfeitas com os abusos da Igreja. Queriam uma religião mais simples, mais próxima dos ensinamentos de Jesus. Buscavam, enfim, uma nova maneira de ser cristão. Mas por que isso ocorria?

 

Os abusos da Igreja

      Como vimos, na Idade Média a Igreja era rica e poderosa. Os bispos possuíam feudos enormes e muitos servos. O papa tinha muita força política: convocava pessoas para participar das Cruzadas, celebrava acordos entre os países, interferia na escolha dos reis, etc. Muitos membros da Igreja tinham comprado o cargo de bispo ou cardeal. Vários papas daquela época só chegaram à chefia da Igreja por pertencerem a famílias milionárias. Muitos padres não tinham instrução nem preparo para orientar os fiéis.

Além disso, os líderes da Igreja Católica praticavam um comércio fraudulento de artigos religiosos. Vendiam objetos dizendo ser pedaços de ossos sagrados, pedaços de um pano qualquer dizendo ser o manto de Maria, mãe de Jesus, e várias outras “relíquias”. E mais: bispos e padres vendiam também indulgências, isto é, o perdão dos pecados.

 

Os primeiros reformadores

Entre os maiores críticos da Igreja naquela época estavam os reformadores John Wycliffe e John Huss.

Wycliffe (1320-1384) era inglês e formou-se em Teologia* pela universidade de Oxford. Ele criticava, sobretudo, a falta de instrução dos sacerdotes e o acúmulo de riquezas por parte dos bispos e papas. Por isso, Wycliffe foi preso e levado a um tribunal religioso que o acusou de herege*. Perseguido pelas autoridades, ele retirou-se e dedicou-se a traduzir a Bíblia do latim para o inglês, a fim de que mais pessoas pudessem conhecê-la.

John Huss (1369-1415) era professor e reitor da Universidade de Praga (na atual República Tcheca). Huss tornou-se conhecido por fazer seus sermões na língua de seu povo, o tcheco, língua para a qual traduziu a Bíblia. Por seus ataques à corrupção e ao luxo do alto clero, John Huss foi acusado de heresia, preso e queimado vivo pela Inquisição* em 6 de julho de 1415.

 

Martinho Lutero

No início do século XVI, um monge alemão, de nome Martinho Lutero, revoltou-se contra o escândalo da venda de indulgências e, com isso, deu início do maior abalo já ocorrido no interior da Igreja: a Reforma Protestante.

Em 1517, o papa prometeu que todo aquele que desse dinheiro para construir a nova Basílica de São Pedro, em Roma, receberia, em troca, uma indulgência plena, isto é, o perdão de todos os pecados. Indignado, Martinho Lutero pregou na porta de sua paróquia as 95 teses, documento contendo duras críticas à Igreja.

Leia algumas teses de Lutero:

“Tese 24: [...] a maior parte do povo está [...] ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

Tese 32: Serão condenados [...], juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

Tese 86: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior que a dos ricos Crassos [romanos ricos], não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta vez uma Basílica de São Pedro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?”

Por insistir na defesa de suas ideias, Lutero acabou sendo excomungado (expulso da Igreja) pelo papa. O imperador católico Carlos V, que governava a região da Alemanha, também o considerou herege. Perseguido, Lutero refugiou-se na torre de um castelo e traduziu a Bíblia para o alemão, possibilitando que muitas pessoas tivessem acesso a ela. Vários príncipes alemães se converteram ao luteranismo e se apropriaram das terras da Igreja Católica em seus principados; com isso, aumentaram suas riquezas.

Além disso, Lutero defendia a necessidade de que todos aprendessem a ler para poder conhecer a Bíblia, fato que contribuiu para a alfabetização de milhares de alemães.

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Martinho Lutero

 

A Igreja e a doutrina de Lutero

Lutero fundou uma igreja e criou para ela uma doutrina*, a Doutrina Luterana. São princípios dessa doutrina:

  1. Somente a fé em Deus salva as pessoas.
  2. A Bíblia, por meio da qual Deus se revela, é a única fonte realmente confiável.
  3. O batismo e a eucaristia são os dois únicos sacramentos.
  4. O culto aos santos e a infabilidade do papa não tem fundamento.
  5. Qualquer membro da Igreja pode se casar.

Diante do avanço do luteranismo, o imperador Carlos V proibiu o culto luterano nos principados católicos. Os príncipes luteranos protestaram contra essa proibição; daí o termo protestante para nomear os seguidores das igrejas surgidas a partir da Reforma.

As ideias de Lutero espalharam-se com velocidade. Para isso, muito contribuiu o aperfeiçoamento da imprensa.

 

A impressão de livros e a Reforma

A impressão de livros, como já vimos, é uma invenção chinesa. Na década de 1440, na Europa, o alemão Johannes Gutemberg (1398-1468) aperfeiçoou a imprensa inventando os tipos móveis de chumbo, o que tornou possível utilizar uma mesma matriz para imprimir muitos livros. Em consequência disso, o preço do livro baixou e o número de leitores aumentou muito.

O primeiro livro impresso na oficina de Gutemberg foi a Bíblia. A criação de oficinas gráficas e do impresso foi decisiva para a divulgação das ideias de Lutero. Da Alemanha, o protestantismo espalhou-se rapidamente para outros países com a ajuda de importantes reformadores, como o francês João Calvino, que teve contato com as ideias de Lutero no curso de Teologia.

Prensa de Gutemberg

 

João Calvino

Assim como Lutero, Calvino acreditava que só a fé salva, rejeitava o culto às imagens e admitia apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia. Diferentemente de Lutero, porém, Calvino acreditava na predestinação absoluta, ou seja, que as pessoas nada podiam fazer para mudar o seu destino. Alguns são predestinados por Deus à morte eterna; outros, à vida eterna.

Em 1541, Calvino tornou-se a principal figura do governo da cidade de Genebra, na Suíça, e a comandou com mão de ferro, proibindo o teatro, a dança e o jogo de cartas.

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João Calvino

 

Expansão do calvinismo

A valorização do estilo de vida burguês contribuiu para a rápida difusão do calvinismo pela Europa: na Escócia, os calvinistas foram chamados de presbiterianos; na Inglaterra, de puritanos; e na França, de huguenotes.

Na França, as guerras entre protestantes e católicos registraram um episódio de muita violência: na noite de 24  de agosto de 1572, dia de São Bartolomeu, os católicos, apoiados pelo governo francês, mataram milhares de huguenotes nas ruas de Paris.

 

Calvinismo e Capitalismo

Você já deve ter ouvido falar em capitalismo. De modo simplificado, pode-se dizer que o capitalismo caracteriza-se pelo trabalho assalariado e pela busca do lucro.

Mas, afinal, que relação o calvinismo tem com isso?

Segundo um estudioso chamado Max Weber (1864-1920), a moral calvinista favoreceu o desenvolvimento do capitalismo. Veja como: Calvino dizia que, se uma pessoa enriquecia por meio do trabalho e de uma vida puritana, era sinal de que tinha sido eleita por Deus. Vida puritana para ele era acordar cedo, dormir cedo, poupar, não participar de jogos de azar, não ingerir bebida alcoólica e dedicar-se inteiramente à oração e ao trabalho. Pois bem, ao valorizar o trabalho, uma vida regrada e o hábito de guardar dinheiro, o calvinismo aprovava o estilo de vida da burguesia nascente, contribuindo com isso para o desenvolvimento do capitalismo.

Grande parte do trabalho de Max Weber como pensador e estudioso foi reservado para o chamado processo de racionalização e desencantamento que provém da sociedade moderna e capitalista. Mas seus estudos também deram contribuição importante para a economia. Sua obra mais famosa é o ensaio A ética protestante e o espírito do capitalismo, com o qual começou suas reflexões sobre a sociologia da religião. Weber argumentou que a religião era uma das razões não exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo ascético, que levou ao nascimento do capitalismo, a burocracia e do estado racional e legal nos países ocidentais.

 

A Reforma na Inglaterra

Na Inglaterra, o movimento reformista foi conduzido pelo próprio rei. Ele vinha querendo livrar-se da interferência do papa e dos impostos cobrados pela Igreja Católica em seu país. Tudo começou quando o rei Henrique VIII pediu ao papa que anulasse o seu casamento com Catarina de Aragão (filha dos reis da Espanha) alegando que ela não conseguia lhe dar um filho (homem) para ser seu herdeiro.

Ao ter seu pedido negado pelo papa, Henrique VIII decidiu agir: rompeu com a Igreja de Roma (1531) e casou-se novamente, desta vez com Ana Bolena, uma dama da corte. Ao saber disso, o papa o excomungou. O Parlamento inglês, em comum acordo com Henrique VIII, reagiu aprovando o Ato de Supremacia (1534), o qual declarava o rei novo chefe da Igreja da Inglaterra, chamada de Igreja Anglicana.

Como chefe da nova Igreja, Henrique VIII confiscou as terras e os mosteiros da Igreja Católica e os vendeu ou presenteou aos nobres e burgueses que o apoiaram. Assim, o rei inglês se fortalecia, acumulando poder político e religioso ao mesmo tempo.

Observando o mapa da Europa após a Reforma, podemos perceber as áreas dominadas pelos protestantes e controladas pelos católicos.

(Sobre Henrique VIII, consultar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VIII_de_Inglaterra)

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Reforma Católica ou Contrarreforma

Para tentar conter o avanço do protestantismo, que vinha fazendo milhões de adeptos por toda a Europa, a liderança católica iniciou um movimento conhecido como Reforma Católica ou Contrarreforma. Essa Reforma foi impulsionada pelos jesuítas, pelo Concílio* de Trento e pela Inquisição.

A Ordem dos Jesuítas foi fundada em 1534 pelo militar espanhol Inácio de Loyola, que organizou seus membros dentro de rigorosa disciplina e obediência. Conhecidos como “soldados de Cristo”, os jesuítas dedicaram-se a divulgar o catolicismo na Europa e evangelizar os povos da Ásia, África e América. Como parte desse trabalho, os jesuítas criaram uma rede de colégios em vários países do mundo, inclusive no Brasil.

O Concílio de Trento foi convocado em 1545 pelo papa Paulo III e foi interrompido por várias vezes, em razão de guerras e de uma peste* ocorrida naquela região da Itália. Ao final dos debates, o Concílio:

  • Reafirmou o poder do papa, manteve os sete sacramentos* e a proibição do casamento para padres e freiras;
  • Propôs a criação de seminários para a formação de padres;
  • Organizou o Index, isto é, relação de livros que os católicos estavam proibidos de ler. Muitas vezes esses livros eram queimados em grandes fogueiras;
  • Reativou a Inquisição (ou Tribunal do Santo Ofício), tribunal criado por membros da Igreja em 1231, com o objetivo de vigiar, julgar e punir qualquer pessoa acusada de heresia.

A Inquisição agia de modo intolerante e violento. Às vezes, bastava uma simples suspeita para que a pessoa fosse chamada a depor nesse tribunal e, conforme suas respostas, era condenada à perda de bens (terra, casa, móveis), à prisão perpétua e, às vezes, à morte na fogueira.

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Inquisição

 

***Vocabulário:

*Teologia: Estudo da religião e das coisas divinas. A palavra vem do grego theos, que significa Deus, e logos, descrição, e refere-se apenas à interpretação da doutrina de Deus. Mas a teologia moderna abrange o estudo das várias religiões e a relação entre religião e necessidades humanas.

*Herege: aquele que contraria a doutrina oficial da Igreja.

*Inquisição: Ato de inquirir, de pesquisar. Esforço empreendido pela Igreja Católica no sentido de identificar e punir hereges, ou seja, pessoas que professavam crenças diferentes dos ensinamentos da Igreja. A Inquisição teve lugar em muitos países da Europa e em suas colônias, mas a que ficou mais conhecida foi a espanhola.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Inquisi%C3%A7%C3%A3o)

*Doutrina: conjunto de princípios de determinada religião ou filosofia.

*Concílio: assembleia de bispos para decidir sobre assuntos relativos à Igreja.

 

Atividades:

1)      Produza um texto sobre as razões da Reforma, seguindo o roteiro: a riqueza e o poder da Igreja na época; o luxo do alto clero e a falta de preparo dos padres; o comércio de artigos religiosos; a venda de indulgências.

2)      Que relação se pode estabelecer entre protestantismo e alfabetização?

3)      Cite uma semelhança e uma diferença entre o luteranismo e o calvinismo.

4)      A principal motivação da Reforma na Inglaterra foi política, socioeconômica ou cultural? Justifique.

5)      Elabore uma ficha sobre a Reforma Católica, explicando o papel: dos jesuítas; do Concílio de Trento; da Inquisição.

O Mercantilismo: riqueza e poder para o Estado

Nos tempos do feudalismo, a medida da riqueza era a terra. Com o ressurgimento do comércio e a ascensão da burguesia, o indicador de riqueza de uma pessoa ou um país passou a ser o dinheiro.

Para conseguir riqueza e poder, a maioria das monarquias absolutistas europeias adotou um conjunto de ideias e práticas econômicas entre os séculos XV e XVIII que, mais tarde, foi chamado de mercantilismo. Seus defensores davam grande importância às atividades comerciais (mercantis), daí o nome mercantilismo. Vale lembrar que absolutismo e mercantilismo caminharam sempre juntos.

Princípios e países mercantilistas:

Assim como o absolutismo, o mercantilismo também variou de um país para outro. Apesar disso, apresentou alguns princípios básicos:

- metalismo: crença segundo a qual quanto mais ouro e prata um país possuísse, mais rico ele seria. Procurava-se, com essa crença, evitar a saída de metais preciosos do país;

- balança comercial favorável: princípio decorrente do metalismo. Veja por quê: na época, o dinheiro era feito de ouro e prata; assim, para reter o ouro e a prata no país, exportava-se o máximo e importava-se o mínimo, obtendo saldo positivo na balança comercial;

- protecionismo: incentivo ao comércio, à indústria e à Marinha Mercante nacionais, protegendo-os da concorrência estrangeira. Recomendava-se, por exemplo, o aumento dos impostos sobre os produtos estrangeiros a fim de torná-los mais caros, favorecendo os nacionais;

- todo comércio colonial deve ser monopólio da Metrópole: as colônias deviam comerciar exclusivamente com suas respectivas Metrópoles. Um exemplo: os habitantes do atual Haiti (colônia) deviam fornecer açúcar, café e algodão apenas para a França (Metrópole) e comprar somente dos franceses os tecidos e outros produtos manufaturados de que necessitassem.

O mercantilismo variou no tempo e no espaço. Na Espanha do século XVI, por exemplo, predominou o metalismo; naquele século, com os metais obtidos na América, a Espanha tornou-se a nação mais rica da Europa. Já na França da segunda metade do século XVII, época de Luís XIV, predominou o protecionismo.

O mercantilismo inglês

Na Inglaterra, a política mercantilista foi aplicada de forma ampla pela rainha Elizabeth I (1558-1603), que se empenhou em incentivar o comércio exterior e a Marinha Mercante.

Para incentivar o comércio exterior, Elizabeth I concedia prêmios e isenção de impostos às manufaturas inglesas e, ao mesmo tempo, aumentava os impostos alfandegários sobre os tecidos vindos do exterior. Essa rainha estendeu sua proteção também à indústria naval e à mineração. O motivo era simples: por estar em uma ilha, a Inglaterra precisava de navios para comerciar com outros países. Para fazer navios, precisava de ferro.

A monarquia inglesa também acumulou capitais, apoiando a prática da pirataria nas costas da América, da África e da Ásia. Elizabeth I, por exemplo, deu apoio material e moral ao famoso corsário* Francis Drake.

*corsário: pirata que tinha a carta de corso, isto é, a licença oficial dada pelo governo de seu país para praticar assaltos no mar e em terra.

ATIVIDADES:

1)      Responda: a qual princípio do mercantilismo cada uma das frases a seguir pode ser relacionada?

a)      Exportar mais e importar menos.

b)      Dar prêmios às manufaturas nacionais e taxar as estrangeiras.

c)      Acumular metais preciosos e evitar sua saída.

2)      Thomas Mun foi um estudioso inglês que viveu na época da rainha Elizabeth I. Ele formulou suas teorias a partir da experiência com o comércio. Leia o que ele escreveu:

“[...] o comércio exterior é a riqueza do soberano, a honra do reino, a nobre vocação dos mercadores, nossa subsistência e o emprego de nossos pobres, o melhoramento de nossas terras, a escola de nossos marinheiros, o nervo de nossa guerra, o terror de nossos inimigos.”

DEYON, Pierre. O Mercantilismo. São Paulo: Perspectiva, 1973. p. 54.

a)      O que se pode concluir lendo esse trecho?

b)      O que Thomas Mun quis dizer com a frase: “o comércio exterior é [...] o terror de nossos inimigos”?

 

 

>>>ATENÇÃO: AS ATIVIDADES DESSE TEMA SOMAM-SE ÀS ATIVIDADES DO PRÓXIMO POST, SOBRE A REFORMA PROTESTANTE. PORTANTO, DEVEM ENTREGAR AS RESPOSTAS DAS DUAS NA DATA MARCADA!

O Absolutismo

Algumas monarquias europeias, como a da França, evoluíram para o absolutismo, regime político em que o rei tem poder de decretar leis, fazer justiça, criar e cobrar impostos. No regime absolutista, o rei estava acima da nobreza e da burguesia, colocando-se como mediador desses dois grupos rivais. O rei equilibrava-se, procurando contentar tanto a burguesia como a nobreza.

Teóricos do absolutismo:

Conforme os reis iam impondo sua autoridade em toda a extensão de seus reinos, foram surgindo pensadores empenhados em justificar o absolutismo monárquico. Entre eles, cabe destacar:

- Thomas Hobbes (1588-1679): autor de ‘Leviatã’, dizia que, no princípio, os homens viviam em estado natural, obedecendo apenas aos seus interesses particulares. Por isso, a vida era uma guerra permanente de “todos contra todos”, “o homem era o lobo do homem”. Para evitar a destruição da humanidade, os seres humanos renunciaram a todo o direito e a toda liberdade em favor de um único senhor, o rei absoluto. Foram, portanto, os próprios seres humanos que entregaram poderes totais ao rei. Por isso, segundo Hobbes, o rei não devia satisfação de seus atos a ninguém.

- Jacques Bossuet (1627-1704): era bispo e autor de ‘A política inspirada na Sagrada Escritura’, teoria apoiada na Bíblia. Para Bossuet, o rei é o representante de Deus na Terra e, como tal, é infalível. Assim, o direito que o rei tinha de governar de modo absoluto possuía origem divina; por isso, a teoria criada por Bossuet é chamada de teoria do direito divino dos reis.

O absolutismo variou no espaço e no tempo. O rei que encarnou melhor o regime absolutista na Europa ocidental foi o francês Luís XIV (1643-1715), o Rei-Sol.

Luís XIV, o Rei-Sol

Luís XIV exigia de seus súditos total obediência e lealdade e ocupava-se pessoalmente dos assuntos ligados ao governo. Enfim, agia de acordo com a frase atribuída a ele: “O Estado sou eu”.

Durante seu longo reinado (54 anos), Luís XIV usou o exército para impor sua autoridade, mas procurou também atender aos interesses de setores da nobreza e da burguesia. Para atrair a nobreza, adotou a política de “distribuição de favores”: distribuía pensões, presentes e empregos bem remunerados a condes, duques e barões. E, na sua corte, no Palácio de Versalhes, sua residência oficial, abrigava e sustentava milhares de outros nobres. Para obter apoio da burguesia, favoreceu-a por meio de seu ministro Jean B. Colbert, incentivando as exportações, concedendo prêmios em dinheiro e ajuda financeira a manufaturas francesas e isentando-as de impostos.

 Rei Luís XIV

Palácio de Versalhes

Atividades:

1) O Parlamento inglês é, até hoje, formado por dois órgãos: Câmara dos Lordes e Câmara dos Comuns. O Parlamento brasileiro também é formado por dois órgãos.

a) Quais são eles?

b) Quais são as principais funções do Parlamento?

2) Com base no texto, responda:

“O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus. Os reis são deuses e participam de alguma maneira da independência divina. [...] Como não há poder [...] sem a vontade de Deus, todo governo, seja qual for sua origem, justo ou injusto, pacífico ou violento, é legítimo; todo depositário da autoridade [...] é sagrado. Revoltar-se contra ele é cometer um sacrilégio.”

BOSSUET, Jacques. “A política segundo a Sagrada Escritura”.

a) Como o trono do rei é descrito no texto?

b) O que o autor do texto diz sobre o governo? Comente.

3) Como vimos na questão anterior, Bossuet justificava o imenso poder do rei afirmando que sua origem era divina. De que forma Hobbes justificava o absolutismo?

4) Leia atentamente o texto e o roteiro abaixo. Numa resposta aos parlamentares franceses, Luís XIV disse:

“É somente na minha pessoa que reside o poder soberano… é somente de mim que os meus tribunais recebem [...] a sua autoridade; [...] é unicamente a mim que pertence o poder legislativo, sem dependência e sem partilha; [...] toda a ordem pública emana de mim, e os direitos e interesses da nação, [...] estão necessariamente unidos com os meus e repousam inteiramente nas minhas mãos.”

FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1976, v. II, p. 101-102.

a) Copie no caderno um trecho que expresse o absolutismo monárquico.

b) Justifique sua escolha.

c) O que o rei diz a respeito dos direitos e interesses da nação?

 

>>> ATENÇÃO: AS ATIVIDADES CONTINUAM NO PRÓXIMO POST!!!<<<