As Grandes Navegações

Você já imaginou o que é viajar para lugares distantes em embarcações frágeis e pequenas? Viajar em barcos lotados e com pouco espaço para os tonéis de água? Viajar sem nenhuma certeza do caminho? Pois bem, esses foram alguns dos desafios enfrentados pelos europeus durante as Grandes Navegações: conjunto de viagens de longa distância feitas pelos europeus durante os séculos XV e XVI.

 

Enfrentando perigos

Para velejar em alto mar, os europeus enfrentaram perigos reais e imaginários.

Os perigos imaginários eram muitos, como a crença de que a Terra era achatada como uma pizza, e que quem se afastasse muito do litoral cairia numa abismo; ou de que na altura da linha do Equador as águas ferviam, incendiando os navios; ou ainda, de que o mar era habitado por monstros terríveis.

Entre os perigos reais, estavam os ventos desfavoráveis, a ameaça de encalhe, os lugares estranhos, a fome, a doença e a sede no interior dos navios.

Mapa do período, indicando os “perigos” do alto-mar

Motivos das Grandes Navegações

Se era assim tão perigoso, por que, então, os europeus se lançaram às Grandes Navegações?

O motivo principal foi o desejo de conseguir as especiarias* e os artigos de luxo orientais* na fonte, isto é, no próprio Oriente.

No século XVI, o rico comércio com o Oriente era controlado pelos árabes e italianos. Os árabes traziam os produtos do Oriente até os portos do Mediterrâneo. Ali, os mercadores italianos compravam esses produtos dos árabes muçulmanos e os revendiam na Europa, com grande lucro.

Com o Mediterrâneo controlado pelos italianos, só restava uma alternativa a quem quisesse participar do comércio das especiarias: buscar um novo caminho para o Oriente. Além da motivação econômica, havia também a religiosa: o desejo de expandir a fé cristã para outros continentes. A liderança na expansão marítima rumo ao Oriente coube aos portugueses.

 

Portugal, o primeiro nas Grandes Navegações

Vários motivos contribuíram para Portugal se tornar pioneiro* nas Grandes Navegações:

a)      Portugal foi o primeiro país a possuir uma monarquia centralizada, um rei com controle sobre todo o território nacional (lembrar da Formação da Monarquia portuguesa);

b)      havia tempo os portugueses praticavam a pesca e a venda de sardinha, bacalhau e atum, o que estimulou o surgimento de uma burguesia próspera nas cidades litorâneas portuguesas, como Porto, Setúbal e Lisboa;

c)      o desenvolvimento de técnicas e de conhecimentos necessários à navegação, como o aperfeiçoamento de mapas e portulanos*, da bússola e a invenção da caravela.

Caravela portuguesa

Navegando com os portugueses

Os portugueses acreditavam que chegariam ao Oriente contornando a África, mas, inicialmente, esperavam obter lucros conquistando Ceuta, importante ponto de comércio entre árabes e italianos, situado no norte da África. Porém, a conquista de Ceuta, em 1415, não trouxe os lucros esperados, pois os árabes desviaram suas caravanas para outros pontos da África.

Diante disso, os portugueses decidiram planejar o passo seguinte com mais cuidado. Por isso, D. Henrique, filho do rei de Portugal, D. João I, estimulou a criação de um centro de estudos náuticos conhecido como Escola de Sagres; ali se reuniam cartógrafos, geógrafos, astrônomos, matemáticos, construtores e tradutores empenhados em melhorar a navegabilidade e a segurança em alto-mar.

Com o apoio de estudiosos e capitães experientes, os portugueses iniciaram o périplo africano, isto é, o contorno da África por mar (Oceano Atlântico) para chegar ao Oriente.

Com a chegada de Vasco da Gama à Índia, em 1498, os portugueses realizavam seu maior sonho: chegar ao Oriente contornando a África. Ao regressar a Lisboa, Vasco da Gama trouxe consigo uma fortuna em pimenta, canela e gengibre. A venda dessas especiarias possibilitou aos investidores um lucro extraordinário (alguns historiadores falam em 600%).

Aberto o caminho marítimo para o Oriente, partia de Lisboa todos os anos uma expedição que ia até a cidade de Goa, na Índia, trazer as cobiçadas especiarias. Em poucos anos, o negócio das especiarias, com destaque para a pimenta, tornou-se a principal fonte de renda do governo de Portugal.

 

A concorrência espanhola

Os reis espanhóis Fernando e Isabel também se aplicavam na busca de um novo caminho marítimo para o Oriente. Em 1492, eles aprovaram o audacioso plano do navegador genovês Cristóvão Colombo. O plano de Colombo consistia em buscar o Oriente navegando em direção ao Ocidente, isto é, dando a volta em torno da Terra. Colombo acreditava que a Terra era redonda. Além disso, julgava que ela fosse menor do que realmente é. O que ele não sabia, porém, é que no meio do caminho havia outro continente.

Colombo saiu do porto de Palos com três caravelas – Santa Maria, Pinta e Niña – e, depois de velejar cerca de dois meses, embalado por fortes ventos favoráveis, teve uma grata surpresa: encontrou um continente “novo” para os europeus, a América. Era 12 de outubro de 1492. Mas, como pensou ter chegado às Índias, chamou de “índios” os povos que habitavam essas terras havia milhares de anos.

A notícia sobre as terras americanas quase causou uma guerra entre Espanha e Portugal, já que ambos queriam ter direitos sobre elas. Depois de discussões prolongadas, esses países chegaram a um acordo, assinando em 1494 o Tratado de Tordesilhas. Esse tratado riscou no mapa uma linha imaginária a 370 léguas das Ilhas de Cabo Verde. As terras a oeste dela pertenceriam à Espanha; as localizadas a leste seriam de Portugal.

No entanto, França, Inglaterra e Holanda não aceitaram o Tratado de Tordesilhas e continuaram a enviar expedições para a América, África e Ásia. Portugal, por sua vez, prosseguiu avançando na construção do que se tornou um enorme império marítimo-comercial.

Tratado de Tordesilhas (1494)

O navegador genovês Cristóvão Colombo (1451-1506)

Cabral toma posse das terras brasileiras

Animado com o lucro da viagem de Vasco da Gama, o rei de Portugal, D. Manuel, decidiu enviar outra expedição às Índias, a fim de firmar o comércio português com o Oriente.

Essa esquadra, comandada pelo nobre Pedro Álvares Cabral, partiu de Lisboa em 9 de março de 1500. Era formada por 13 navios (dez naus e três caravelas) e cerca de 1500 pessoas, incluindo escrivão, cartógrafos, padres, soldados e navegadores experientes, como Bartolomeu dias, o primeiro europeu a contornar a África.

O rei encarregou Cabral de tomar posse das terras que encontrasse pelo caminho. Por isso, Cabral ordenou aos pilotos de sua esquadra que se afastassem do litoral africano, velejando cada vez mais em direção ao Ocidente.

Depois de 43 dias no mar, os tripulantes avistaram pássaros e algas marinhas, sinais de que havia terra por perto. Finalmente, na tarde do dia seguinte, 22 de abril de 1500, uma quarta-feira, avistaram um monte verde-azulado de formas arredondadas, ao qual deram o nome de Monte Pascoal, pois era semana da Páscoa.

Os portugueses desembarcaram junto a uma aldeia do povo Tupiniquim, no lugar onde hoje é Porto Seguro, na Bahia. Lá fincaram uma cruz de madeira, para dizer que, daquela data em diante, aquelas terras eram deles. Depois de tomar posse, estabelecer contato com os indígenas e ordenar a celebração da primeira missa, Cabral enviou um navio de volta a Portugal, levando a carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão de sua esquadra, carta que se tornaria um importante documento histórico.

                                                                                        Pedro Álvares Cabral

                                                               Mapa das navegações portuguesas e espanholas

Rotas de Pedro Álvares Cabral

Ingleses, franceses e holandeses

Ingleses, franceses e holandeses também cobiçavam as especiarias orientais. Para chegar a elas, navegaram em direção ao Oriente por diversos caminhos.

Em 1497, o navegador genovês Giovanni Caboto, viajando a serviço da Inglaterra, tentou em vão encontrar uma passagem para o Oriente pelo extremo norte. Nessa viagem, Caboto explorou alguns pontos da América do Norte.

Em 1534, foi a vez do navegador francês Jacques Cartier buscar uma passagem para o Oriente pelo extremo norte. Ele explorou o Rio São Lourenço e tomou posse, em nome do rei da França, de parte dos atuais Canadá e Estados Unidos. Tanto os ingleses como os franceses daquela época dedicavam-se à pirataria, erguendo várias feitorias* na África e na Ásia. Os franceses chegaram a invadir o Brasil duas vezes.

A Holanda lançou-se às navegações só no final do século XVI. Mas, em poucas décadas, conquistou áreas ricas em especiarias em diversos continentes: região do Cabo (África); Java, Sri Lanka e Ilhas Molucas (Ásia); Nova Amsterdã (atual Nova Iork); Antilhas e Nordeste do Brasil (América).

As Grandes Navegações provocaram importantes mudanças no cenário mundial:

a)      O comércio ganhou proporções mundiais;

b)      O Atlântico passou a ser mais importante que o Mediterrâneo como via de comércio. Com isso, assistiu-se ao declínio das cidades italianas e à ascensão dos países banhados pelo Atlântico, como Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda;

c)      Os europeus ergueram vastos impérios coloniais e apropriaram-se da riqueza dos povos africanos, asiáticos e ameríndios;

d)     Europeus, africanos, ameríndios e asiáticos tiveram de conviver cada vez mais com as diferenças entre si.

 

Para saber mais

Sabe-se hoje que foram os portugueses os primeiros a projetar e construir a caravela, fato ocorrido entre 1430 e 1440. Sabe-se também que as caravelas significaram grande avanço técnico, pois, além de serem ligeiras e fáceis de manobrar, podiam entrar em rios, contornar bancos de areia e zarpar com certa velocidade em caso de ataque.

 

Para refletir

Mais de quinhentos anos depois da chegada de Colombo às Bahamas, na América Central, uma pergunta continua no ar: 12 de outubro de 1492 foi o dia da descoberta, do encontro ou da invasão da América pelos europeus?

Não se pode dizer que Colombo descobriu a América, afirmam os historiadores, pois, quando ele aqui chegou pela primeira vez, o continente americano era habitado por milhões de indígenas.

O historiador mexicano Miguel León Portilla sugeriu, então, que 12 de outubro de 1492 devia ser visto como dia do “encontro de dois mundos”: o mundo americano e o mundo europeu.

Já outros estudiosos discordam dele: preferem dizer que o número de mortes de ameríndios no contato com os europeus foi tão elevado que o dia da chegada de Colombo deve ser considerado como o dia da invasão da América pelos europeus.

 

 

ATIVIDADES:

 

1)      Os primeiros navegantes europeus enfrentaram diversos perigos. Alguns, reais e outros, imaginários.

a)      Cite esses perigos.

b)      Em sua opinião, por que os europeus tinham tantos medos imaginários?

 

2)      O que levou os europeus a enfrentar todos esses perigos nas viagens para as Índias?

 

3)      Por que os portugueses buscavam “outros” caminhos para o Oriente?

 

4)      Explique o que foi o Tratado de Tordesilhas e, a seguir, responda:

a)      Ele respeitou o direito dos povos que viviam na América?

b)      Ele foi respeitado pelas outras nações europeias?

 

5)      Os versos a seguir são de Fernando Pessoa (1888-1935), um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos. Leia-o com atenção e depois responda:

“Oh! Mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal

Por te cruzarmos, quantas mães choraram

Quantos filhos em vão rezaram

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, oh! mar!”

a)      O que o poeta quis dizer com esses versos?

b)      A que oceano o poeta se refere quando diz “mar salgado”?

c)      Qual é o assunto tratado por ele nesses versos?

d)     O que ele quis dizer com “Quantas noivas ficaram por casar/ Para que fosses nosso, oh! mar!”?

 

6)      Reflita e responda?

a)      É correto dizer que o Brasil foi descoberto pelos portugueses? Justifique.

b)      Se a resposta for não, então o que foi o dia 22 de abril de 1500?

 

 

VOCABULÁRIO:

* ESPECIARIAS: produtos vegetais usados geralmente para temperar a comida, como pimenta-do-reino, cravo, canela, açafrão, etc. Também serviam para conservar a carne, preparar remédios e perfumes.

* ARTIGOS DE LUXO DO ORIENTE: tecidos de algodão da Índia, tapetes da Pérsia, seda e porcelana da China e pérolas do Japão.

* PIONEIRO: primeiro, líder.

* PORTULANO: espécie de roteiro com a descrição detalhada das costas marítimas que os navegadores descobriram ou percorriam.

* FEITORIAS: entrepostos comerciais fortificados, usados também para controlar a circulação naval e guardar o território.

 

 

ATENÇÃO:

DATAS DE ENTREGA DESSA ATIVIDADE:

- 6° A/B: 18/10

- 6° C: 19/10

OBS: VER PRÓXIMO POST! (http://historiabatecabeca.wordpress.com/2012/10/15/astecas-maias-e-incas/)

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