Astecas, maias e incas

Espaço e diversidade cultural

 

Estima-se que, por ocasião da chegada de Colombo, em 1492, viviam na América cerca de 54 milhões de pessoas. Essas pessoas pertenciam a povos bem diferentes entre si, não só na aparência ou no nome, mas também no modo de viver e de pensar.

Dentre os povos nativos da América, podemos destacar: os astecas, os mais e os incas.

 

 

Os astecas

 

Os astecas, ou mexicas, nome que eles davam a si próprios, contam o seguinte mito* sobre seus primeiros tempos de vida.

Eles viviam no Norte da América e, certo dia, por serem um povo andarilho, decidiram deixar Astlán, sua terra natal, e caminhar em direção ao Sul. Depois de muito caminhar, avistaram uma águia empoleirada num cacto, que trazia uma cobra presa ao bico e a uma de suas patas. Os sacerdotes astecas consideraram aquela águia um sinal dado por seu deus, Uitzilopochtli, de que era ali que eles deveriam se fixar e recomeçar a vida. E foi o que fizeram.

Já para os historiadores, os astecas deixaram o Norte da América em busca de terras férteis por volta do século XII. E, depois de uma longa caminhada, chegaram ao fértil vale do Anahuac, hoje Vale do México, e ocuparam as ilhas ocidentais do Lago Texcoco, pois as outras já eram habitadas. Numa dessas ilhas, no ano de 1325, os astecas ergueram a cidade de Tenochtitlán.

 

 

Tenochtitlán, a capital asteca

 

Em pouco tempo, Tenochtitlán cresceu e os astecas passaram a submeter outros povos da região e a incorporar elementos de suas ricas culturas.

Grande parte dessa enorme riqueza de Tenochtitlán vinha dos pesados impostos cobrados dos povos vencidos. Cada uma das cidades dominadas pelos astecas era obrigada a pagar vários impostos, todos os anos. O pagamento de impostos era feito em mercadorias, e os oficiais do imperador faziam uma lista detalhada dos tributos enviados, como mantas de diferentes formatos e modelos, vestes cerimoniais, cocares e penas, feixes de pluma, colares e sacas de cacau.

Assim nasceu o Império Asteca. Quando os espanhóis chegaram à América, Tenochtitlán era uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, quatro vezes mais do que a Londres da época, a maior capital europeia. Era cortada por dezenas de canais, por onde circulavam barcos carregados de mercadorias, e aquedutos, que traziam água doce das montanhas. A capital asteca possuía também templos, ruas retas e amplas e um mercado central rico e movimentado.

Até 1521, data em que Tenochtitlán foi invadida e conquistada pelos espanhóis, os astecas mantiveram seu imenso Império, que abrangia praticamente todo o centro do atual território do México e estendia-se do Oceano Pacífico ao Golfo do México.

 

(Mais informações sobre a cidade: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n)

 

 

A sociedade asteca

 

No topo da pirâmide social, estava o imperador, considerado um ser semidivino. Seu poder e sua responsabilidade eram grandes; em caso de seca prolongada, por exemplo, era ele que fornecia roupa e comida aos necessitados.

Abaixo do imperador vinham os nobres, que atuavam como sacerdotes, altos funcionários públicos ou militares.

Os militares tinham enorme prestígio na sociedade asteca; os mais valentes ingressavam nas importantes ordens militares, como a dos cavaleiros-águia.

Abaixo dos nobres vinham os comerciantes, com destaque para os atacadistas, especialmente os que trabalhavam com artigos de luxo. Os comerciantes incentivavam os casamentos de seus filhos com os filhos de nobres a fim de adquirir prestígio. A seguir, vinham os artesãos, que eram conhecidos por sua habilidade e requinte.

Já os agricultores e soldados constituíam a maioria da população masculina asteca. Por fim, havia escravos, prisioneiros de guerra, condenados pela justiça ou indivíduos que, por causa do envolvimento com jogos ou bebidas, haviam sido escravizados.

 

 

Esporte e saúde

 

Os astecas tinham grande paixão pelo esporte, e praticavam uma série de jogos; um dos preferidos era o tlachtli, jogo de bola bastante popular que lembra tanto o futebol quanto o basquete. As duas equipes adversárias se enfrentavam em um campo em forma de “T”; a bola era feita de borracha e bastante pesada, e só podia ser tocada e lançada com os joelhos ou os quadris. Os jogadores esforçavam-se para fazê-la passar entre dois anéis de pedra fixados nas muralhas laterais, mais ou menos como nas cestas de basquete.

No tocante à saúde, os astecas desenvolveram tratamentos eficientes com base no grande conhecimento da flora e da fauna locais. O médico do rei espanhol Filipe II registrou cerca de 1200 plantas usadas pelos astecas para fins medicinais. As doenças eram atribuídas à vontade dos deuses ou a feitiços. Os astecas usavam a adivinhação e a oração, mas, ao mesmo tempo, sabia curar fraturas, feridas e fazer remédios à base de gordura animal e plantas medicinais, para os mais devidos fins.

 

 

Os maias

 

Os maias viviam na Península de Yucatán, região que corresponde hoje a Guatemala, Honduras, Belize e ao Sul do México.

Copán é considerada a mais bela cidade maia. Por sua arquitetura e construções, foi chamada pelos historiadores de Alexandria do mundo maia. Os maias eram bons construtores e foram os inventores de um tipo de cimento eficiente, que permitia colar, umas às outras, as grossas pedras de seus edifícios e estradas.

 

 

Política, sociedade e economia

 

Diferentemente dos astecas, os maias nunca formaram um grande império, mas, como os astecas, construíram grandes cidades. As cidades maias, como Chichen-Itzá, Maiapán, Palenque e Tikal, eram pequenos estados independentes, ou seja, tinham governos, leis e costumes próprios. Nelas, viam-se palácios, estradas com até dez metros de largura e templos na forma de pirâmide.

Enquanto as pirâmides egípcias serviam de túmulos para os faraós (imperadores), as pirâmides maias serviam de esteio para os templos religiosos, erguidos em seu topo. Os sacerdotes desses templos consideravam-se, assim, mais próximos dos deuses. Algumas pirâmides chegavam a ter setenta metros de altura.

 

 

Sociedade e economia

 

A sociedade maia era hierarquizada: a elite era formada por nobres e sacerdotes; abaixo deles vinham os artesãos e os trabalhadores livres, agricultores em sua maioria. Os nobres e os sacerdotes ajudavam o governante máximo de cada cidade a dirigi-la. Ele era visto pelo povo como representante dos deuses. Os camponeses acreditavam que, para conseguir boas colheitas, tinham de pagar impostos a esse governo “sagrado”. Os impostos eram pagos com parte do que eles produziam e com trabalhos gratuitos para o governo (como reparo e construção de estradas).

A agricultura tinha grande importância na vida dos maias. A maioria deles vivia no campo, onde cultivava feijão, abóbora, algodão, cacau, abacate e milho. O milho era a base de sua alimentação; eles comiam milho assado, cozido ou na forma de farinha.

 

 

Astronomia

 

Os maias destacavam-se também no campo da astronomia. Os astrônomos maias conseguiam prever, com grande precisão, os eclipses do Sol, descrever as fases de Vênus e elaborar calendários que facilitavam seu dia a dia. Além disso, conseguiam calcular a duração do ano quase com a mesma precisão dos cientistas de hoje.

 

 

Os incas

 

Um mito inca* diz que eles tinham origem divina, por isso eram chamados de filhos do Sol. Diz também que o Império Inca foi fundando por dois personagens lendários, Manco Cápac e sua irmã e esposa, Mama Ocilla.

Sabe-se hoje que, por volta do ano 1400, os incas viviam da agricultura e do pastoreio nas terras altas (temperadas e frias) da cidade peruana de Cuzco. Por volta de 1438, esse grupo de língua quíchua conquistou a cidade de Cuzco e, nas décadas seguintes, expandiu seus domínios tanto ao norte como ao sul, construindo assim o maior império indígena na América. O primeiro Sapa Inca (imperador) chamava-se Pachakuti.

Em seu apogeu, o império possuía cerca de milhares de quilômetros de estradas, percorridas por corredores a serviço do governo. Estes revezavam-se levando e trazendo informações e produtos das várias partes do interior para a capital e vice-versa. Em apenas duas semanas, uma ordem do imperador era transmitida por toda a extensão do Império. Entre as principais cidades do Império Inca, estavam Cuzco e Machu Picchu. A cidade de Cuzco, a capital, era famosa por suas construções planejadas, seus templos decorados e suas ruas movimentadas.

 

 

Sociedade e economia

 

Os incas tinham uma agricultura desenvolvida; utilizavam um sistema de irrigação por canais e uma técnica agrícola que aproveitava terraços cavados nas encostas das montanhas (sistema de terraços). Os camponeses constituíam a maioria da população. Cada aldeia era formada por um conjunto de famílias camponesas unidas por laços de parentesco que recebia o nome de ayllu; o chefe do ayllu era o kuraqa. Os habitantes do ayllu plantavam milho, feijão, batata e pastoreavam os lhamas e as alpacas (animal de carga semelhante ao lhama).

As terras de cada ayllu eram divididas em três partes: uma para o imperador, uma para os deuses (isto é, para os sacerdotes) e outra para as famílias camponesas. Além de trabalhar todas as terras, os camponeses eram obrigados a prestar serviços gratuitos ao Estado, como reformar e construir estradas. Essa obrigação recebia o nome de mita. As sobras da produção de alimentos eram estocadas em armazéns ou distribuídas à população nos períodos de fome causados por invernos rigorosos, chuvas torrenciais, pragas ou epidemias.

O imperador – conhecido como Inca ou Filho do Sol – era visto como semidivino e possuía enormes poderes e privilégios; seu cargo era hereditário. Abaixo dele estavam os sacerdotes e os chefes militares, todos originários da nobreza.

Depois vinham os artesãos, os responsáveis pela cura das doenças, os soldados, os contabilistas, os projetistas e os funcionários públicos. Esses profissionais viviam em cidades e eram sustentados pelo governo, que armazenava riquezas com os impostos cobrados das comunidades camponesas.

Em que direção caminhariam os incas, os astecas e os maias caso os espanhóis não tivessem interrompido bruscamente sua trajetória? Isso nunca saberemos, mas de sua enorme capacidade de erguer cidades, viver e progredir num meio hostil ninguém pode duvidar.

 

 

ATIVIDADES

 

1)      Compare a história ao mito do surgimento da civilização asteca.

 

2)      Compare astecas, maias e incas quanto ao aspecto político de suas sociedades.

 

3)      Os camponeses incas pagavam impostos em produtos. Parte deles era armazenada para socorrer a população nos períodos de calamidade pública. Responda (se necessário, pesquise para resolver melhor esta tarefa):

a)      Como nós, na sociedade atual, pagamos impostos?

b)      Como a prefeitura deve usar os impostos que recolhe dos moradores da cidade?

 

4)      O texto a seguir foi escrito por Hernán Cortez, em 1520. Leia-o com atenção e depois responda:

 

“Há uma praça tão grande que corresponde a duas vezes a cidade de Salamanca (Espanha), [...] onde há cotidianamente mais de sessenta mil almas comprando e vendendo. Há todos os gêneros de mercadorias que se conhecem na terra, desde joias de ouro, prata e cobre, até galinhas, pombas e papagaios. Há casas como de boticários*, onde vendem os medicamentos feitos por eles [...]. Há casas como de barbeiros, onde lavam e raspam as cabeças. [...] Há verduras de todos os tipos, mel de abelha, fios de algodão para tecer, [...] milho em grão ou já transformado em pão de excelente sabor. Enfim, vendem tantas coisas que seria prolixo* relatar todas aqui. [...] Há no centro da praça uma casa de audiências, onde estão sempre reunidos dez ou doze juízes para julgar questões decorrentes de desacertos nas compras e vendas.” (Hernán Cortez, apud NEVES, Ana Maria B.; HUMBERG, Flávia R. Os povos da América: dos primeiros habitantes às primeiras civilizações urbanas. São Paulo: Editora Atual, 1996. p. 66-67.)

 

a)      Quem é Cortez? Se necessário, pesquise para responder a esta questão.

b)      Copie um trecho em que Cortez demonstra sua admiração pelo mercado asteca.

c)      O que o autor quis dizer com “sessenta mil almas comprando e vendendo”?

d)     Em sua cidade há algum mercado parecido com o mercado asteca? Explique.

 

VOCABULÁRIO

 

* MITO: é um relato que busca explicar a origem do mundo, dos fenômenos naturais (vento, chuva, encontro das águas do rio com as do mar, etc) e das criações humanas. O mito é transmitido pelo boca-a-boca, dentro de determinado grupo e é considerado verdadeiro por ele.

* INCA: originalmente, era o título do governante do império fundado pelo povo quíchua na região onde hoje é o Peru. Os espanhóis traduziram inca por “imperador”. Mais tarde, a palavra inca passou a ser usada para designar o povo quíchua e o império por ele fundado.

* BOTICÁRIO: preparador e vendedor de medicamentos.

* PROLIXO: difícil, complexo.

 

(DATAS DE ENTREGA:

- 6°A E 6°B: 25/10

- 6°C: 24/10)

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